O guardador de touros é vulgarmente designado por campino. Esta expressão tem constituído a referência etnográfica, quase exclusiva, do Ribatejo pitoresco. A bravura do touro, a paisagem a perder de vista e a permanência solitária no campo, concorreram para que se acentuassem os feitos e se evocassem os actos de coragem e valentia desta “figura da lezíria que nasce e morre nos campos da Borda d’água” (M.Mesquita, 1908).

O termo campino adquiriu um significado tão amplo que ultrapassou tosos os qualificativos profissionais, é o guardador que se faz campino. Campino é aquele que sabe campinar, os que são realmente guardas de touros e sabem “proceder à enchocalhação, conduzir o gado nas tentas, nas ferras, encaminhá-lo para a manga e para o enjaulador, orientá-lo nas largadas e nas esperas, fazê-lo recolher após a lide tauromáquica” (Micaela Soares, 1991).
Aprender a campinar, à parte os falsos simbolismos dos cortejos e festas de touros, é uma vida. O rapaz começa por ser o anojeiro, contacta directamente com o moiral e vai-lhe aprendendo o ofício, trata dos anojos – os animais doentes e velhos. Mais tarde torna-se o roupeiro “aquele que rompe com tudo o que é preciso”, as alfaias para os trabalhos da lavoura, ajudando na guarda e tratamento dos gados. Passa, então a maioral das éguas e depois maioral dos bois – bois da terra, os que trabalham e bois da boa vida, os de lide, e o moiral “tanto os experimenta na valentia como os doma sob a canga”. No topo encontra-se o abegão “que dirige o trabalho da sementeira e que governa em todos os outros trabalhos” (Leite Vasconcelos, 1936).

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